ENQUADRAMENTO

CONTEXTO

De acordo com dados da OCDE, mais de metade da população mundial vive em zonas urbanas e em cidades. Em Portugal não é diferente, com cerca de 70% da população nacional a viver no litoral. Ao mesmo tempo, as zonas interiores e rurais estão cada vez mais despovoadas. O cenário não parece querer alterar-se no futuro, o que levanta desafios para a mobilidade em ambas as áreas. Assim, como será a mobilidade de milhares de pessoas nas grandes urbes? E em locais menos populosos? A deslocação para o trabalho, deixar os filhos na escola, regressar a casa, recolher as crianças e ainda passar pelo supermercado, podem ser algumas necessidades básicas do quotidiano de qualquer sociedade e são também as razões pelas quais se opta por um veículo particular. Uma opção que causa congestionamentos, poluição do ar e sonora e um grande custo para economia.

Na senda de uma mobilidade mais inteligente, surgem os veículos elétricos que contribuirão para a redução das emissões de CO2. Contudo, substituir um veículo de combustão por um veículo elétrico, não contribui para melhorar a mobilidade das cidades. O problema mantém-se.
Deste modo, o reforço do serviço de transportes públicos e a sua conjugação com outros meios alternativos de deslocação, parecem ser a solução para um futuro mais sustentável e, ao mesmo tempo, com mais qualidade de vida. A partilha será a palavra-chave nos próximos anos. Falar de mobilidade será falar de partilha… de bicicletas, de automóveis, de motas e necessáriamente de mais e muito melhores, transportes públicos. A isto alia-se ainda maior facilidade de andar a pé.
As cidades voltam-se para as pessoas!

Tudo isto traz outro olhar sobre as cidades. E as grandes multinacionais, sejam tecnológicas sejam as marcas de veículos, sempre atentas ao mercado e às suas necessidades, já perceberam isso: a mobilidade também pode ser um negócio lucrativo.
Veja-se, por exemplo, os diversos projetos de carsharing que nascem no seio de empresas tradicionalmente ligadas à construção automóvel ou até mesmo os novos serviços de transporte coletivo suportados em plataformas agregadoras da procura e da oferta, sempre ao alcance de um qualquer smartphone. Mas não são apenas os negócios em volta dos transportes e da mobilidade que podem proliferar. Os dados que a mobilidade e as infraestruturas geram, representam alto valor económico e são informação crucial para a boa gestão das cidades e dos territórios.

Nas regiões menos povoadas, a palavra de futuro também será partilha, mas com conceitos diferentes. As populações destes territórios terão de ter, cada vez mais, acesso a uma mobilidade mais flexível e adaptável às caracteristicas desses territórias, podendo usufruir de pequenos autocarros que seguem uma rota, com paragens defenidas em função dos pedidos da procura. Cada vez mais, necessidades de deslocação específicas, terão soluções de mobilidade à medida das características da procura.

As cidades e regiões com uma mobilidade mais inclusiva e mais sustentável, são certamente locais mais competitivos, com mais economia e com mais qualidade de vida.

TEMÁTICA

O MOBITRANS – 12.º Encontro Transportes em Revista terá como tema PESSOAS | CIDADES | REGIÕES. Sempre com a presença destes três pilares e ao longo de dois dias, pretende-se refletir e debater as tendências das cidades, das regiões e da mobilidade:

Que tipo de mobilidade será compatível com a cidade do futuro?
Que desafios da mobilidade nas regiões?

As cidades e as regiões, no futuro, certamente terão de ter visão e terão de ter um planeamento estratégico que incorpore a variável da mobilidade. Os estrategas desta mobilidade do futuro terão vários desafios pela frente, tais como ordenamento do território, o urbanismo, o desenho urbano e dos equipamentos, associados ao mercado da mobilidade. O transporte público será e deverá ser, o elo principal da mobilidade, ao qual deve ser complementado com outras formas inovadoras de deslocação, além da bicicleta e o andar a pé, que têm lugar garantido na cadeia da mobilidade.

A acessibilidade terá de ser efetiva, desde o acesso aos transportes, aos interfaces e às gares, às estações e paragens, sendo estas infraestruturas e equipamentos mais inclusivos e ergonómicos e mais confortáveis e seguros. A arquitetura, o design, o espaço urbano e os equipamentos e infraestruturas marcam assim presença no MOBITRANS. Aos automóveis cabe-lhes um papel e lugar na mobilidade, sendo necessário ordená-lo neste novo desenho citadino, onde o papel do estacionamento, será decisivo para a repartição modal. O potencial da mobilidade e dos transportes na captação de dados, será um dos temas a abordar, seja pelo valor económico como pelo valor da informação para a tomada de decisões pelo gestor do território. Portugal está na moda e atrai cada vez mais turistas que também necessitam de uma mobilidade eficaz para explorarem as cidades e as riquezas dos territórios. O turismo é assim, um dos grandes fatores dinamizadores da mobilidade e dos transportes nas cidades e regiões.